12 de outubro de 2016

Aula sobre processos irregulares de formação de palavras


Isto porque o tempo escasseia, a crónica de hoje é de ontem também. Peço-vos atenção, que a materiazinha assim o exige. Ora vamos à lição sobre empréstimos. Sossegue o caríssimo leitor, que nada irei pedir e aviso, desde já, que não me encontro disponível para emprestar seja o que for. Estes de que vos irei falar, e de que falei aos meus jovens alunos, são linguísticos. Começa a aula, siglas p’ra cá, acrónimos p’ra lá e chega, então, a vez dos ditos:
- Sabem uma coisa? Ontem fui ao “shopping”, bebi um “cappuccino” e comi um “croissant”, depois comprei um “abat-jour” e mais tarde comi uma “pizza”!
Era vê-los a olhar para mim. Silenciosos, mas a perguntarem-se o que teriam eles a ver com as minhas saídas.
- Nada estranho?? – perguntei.
Nada.
- Oh moços, ouçam lá! – e toca a repetir todo o relambório -  Não há aqui nada que vos desperte a atenção??
- A pressora foi ao shopping só para beber um ”cappuccino”??? – perguntou a M., com um ar de franca censura. Que desperdício de tempo e combustível, estaria a petiz a pensar.
Quase me senti frustrada, mas eu cá não me deixo abater e se a M. só reteve o “cappuccino”, seguramente, foi porque não gosta de “pizza”.
Já hoje, com outra plateia, novamente às voltas com acrónimos, truncaturas e outras coisas que tais, eis que surgem os empréstimos. Ouçam-me:
- Sabem uma coisa? Ontem fui ao “shopping”, comprei um “abat-jour”, depois bebi um “cappuccino” e comi um “croissant” e mais tarde comi uma “pizza”!
- Já sei – dizia a M.M. – é uma enumeração!
Que sim, dizia eu, que era uma enumeração, mas que não era bem isso o que eu queria, já que estava a falar de processos de formação de palavras.
- É tipo, ‘tá a dizer o que fez! – respondia o L.S.
E eu lá repetia, enfatizando os empréstimos, mas nada.
- Ouçam lá bem! – e repeti tudo de novo - ontem fui ao “SHOPPING”, comprei um “ABAT-JOUR”, depois bebi um “CAPPUCCINO” e comi um “CROISSANT” e mais tarde comi uma “PIZZA”!
Ainda mal tinha terminado e já o J.M. respondia :
- Oh, ‘tá sempre a comer!

Quase esbofeteei o pequeno. Lá porque é magro não tem de me humilhar perante os colegas, por causa dos meus quilos a mais. Mas vez disso, ri-me, sentindo-me privilegiada por ter a profissão que tenho embora, mentalmente, tenha agendado a data para o início da próxima dieta.

Sem comentários:

Enviar um comentário