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11 de novembro de 2015

DIA 42 - TECNORODAS - A ROLAR CONTRA AS DORES NOS COSTADOS



A escola onde trabalho é, como já terão percebido, uma escola de gente muito sã. Mentalmente muito sã. A parte física é que anda toda descadeirada. Ele é costas, ele é vesículas, ele é tendinites, ele é músculos... enfim, é todo um manancial de maleitas, que aquilo, às vezes mais parece a esquina do Posto Médico lá da minha terra, onde os mais velhos se reúnem para o sobejamente conhecido desafio "eu tenho mais dores que toda a gente". 
Ora, aqui e ali, começaram a aparecer umas mochilas com rodas, vulgo trolleys , que me foram despertando a atenção. Comecei a perceber que o número destas geringonças estava a aumentar. Mas há assim tanta gente com problemas nessa escola?, perguntar-se-á o estimado leitor. A resposta é inconclusiva, pois, parece-me, há gente que, só para ter uma destas mochilas rolantes, começou a sentir pontadas no corpinho todo. Ora, se os outros têm pontadas, o que sou eu a menos que eles para não as sentir também. Vai daí, também comprei um trolley.
Estreei-o hoje. Enquanto deslizava pela sala, eu e o trolley, o A. perguntou: 
- Oh pressora, mas isso agora é moda cá na escola?
Pela questão do petiz, dá para perceber a quantidade de bichos destes que andam a rolar pelo corredor.
Perguntei à turma que nome lhe devia dar. Ouvi vários, mas o do J. foi o que mais me agradou: 
- "Mancha mobile", pressora!
Nisto, tive uma ideia, daquelas boas: pedir aos moços que, num papelinho, escrevessem um nome, para que eu depois pudesse escolher o melhor. Assim foi, e assim que me decidir, haverá uma crónica, tipo cerimónia de baptismo.
E o leitor não acha estranho, haver tanta gente com um trolley e não se formar logo uma associação, ou um clube, ou outra coisa qualquer, que dê seriedade a este movimento? Naturalmente, já pensámos, de forma ponderada e séria, nesse assunto. Foi na ponte, entre um ai que não me apetece ir dar aula e um bora lá mas é!, que a coisa se decidiu. Veio da L.C., o nome. E o nome é : TECNORODAS.
Sim, na minha escola formou-se o clube de trolleys, porque na minha escola dá-se importância às coisas importantes. E sim, já conseguimos o patrocínio do colega L., para uma corrida no autódromo. E eu cá já me estou a imaginar, na linha de partida, a olhar para os olhares ansiosos dos meus colegas e eles a olharem para o meu olhar competitivo e todos a sentirmos a adrenalina do momento e eis que se ouve o tiro de partida (será a N., com a sua pistola de fulminantes) e todos a rasgar as curvas, rumo à vitória.
Brevemente será agendado um beberete para os membros do clube, que decorrerá na sala de professores, sob o olhar de invídia de todos aqueles que não pertencem a este grupo vanguardista.
Tenho cá para mim, que sei qual é a prenda de Natal que muitos destes colegas irão pedir. E peçam, sim, e venham, em Janeiro, com os vossos trolleys, para , juntos, rumarmos em direcção ao pôr do sol, qual cowboys do conhecimento, destemidos, e corajosos a dizimarem as contraturas e as tendinites.